Desde que meu avô (por parte de mãe) ficou doente ele mora em três casas. Três vezes por ano ele é obrigado a fazer as malinhas e trocar de família, da mesma família.
Meu avô chegou aos 13 anos no Brasil. Meu avô nasceu em 1920, em Nagasaki.
Saiu do Japão em 1933. Chegou com pouca roupa e pouca comida. Conta que passou fome. Diz que viu muitos morrerem.
Aos 13 anos, meu avô foi vendido pelos próprios pais.
Terceiro filho, foi escolhido pelos pais a ser o único filho a enfrentar 52 dias de viagem num navio sem conforto. O motivo? Nem ele sabe… se sabe, nunca vai dizer. Japonês guarda segredo e sabe esconder com orgulho o que não daria orgulho a ninguém.
Meu avô carrega um sobrenome que não é dele, de sua família. Quando foi vendido, seu sobrenome mudou, e ele carrega até hoje Karashima no registro – o sobrenome de quem um dia o comprou para sair do Japão em direção ao Brasil. Os Karashimas o maltrataram.
Com menos de 18 anos, sem família, sem casa e sem comida, meu avô fugiu. Contou com a ajuda de amigos. Virou lavrador. Fez dinheiro vendendo artigos de bambu na rua. Criou cinco filhos, três mulheres, dois homens. Os homens, antes dos 40, morreram de formas diferentes, e nem por isso menos trágicas.
O verdadeiro sobrenome do meu avô é Morikawa. Essa família ele conheceu em uma viagem já velho em uma das três viagens que fez ao Japão para visitar seus antepassados. Ficou sabendo também que seu pai havia sofrido com os horrores da bomba atômica. Trouxe uma foto de recordação do pai que o vendeu. A foto PB, um pouco maior que uma foto 3X4, traz um homem magro, com poucos cabelos arrepiados, e metade do rosto queimado pela radiação. É a única foto que tenho do meu bisavô. (Penso: de um deles?)
Seus irmãos visitaram o Brasil há alguns anos, e não consigo lembrar quantos anos tinha na ocasião. Lembro apenas da ansiedade que tomou conta de todos. Lembro que minha mãe ganhou um kimono. Eu ganhei doces.
Os irmãos do meu avô ficaram orgulhosos do irmão, e ficaram assustados com a fartura dos brasileiros. Com a abundância da comida. Mas, voltaram pro Japão certos de que o irmão construiu uma bela família.
Meu avô.
(No colo, o neto que havia chegado do Japão)

PUxa, que história bacana! “Conhecer as origens é conhecer mais a si mesmo”
Que história linda… é uma lição àqueles que reclamam da vida sem ter idéia do que é sofrer realmente …
Daria um livro… de verdade…
Esa historia de tu abuelo es realmente para un libro, piensa en eso , es una historia maravillosa.
Mi abuelo era de Hiroshima, tambien vino antes de la bomba atomica, mi madre dice que el lloraba mucho de pensar en lo que fue de sus amigos y familiares despues de esta tragedia, nunca volvio a Japon.
Estoy muy orgullosa de ser nieta de un japones, siento que hemos heredado algo muy especial al ser un poco japoneses.
Mi abuelo llego primero a Brasil y despues vino a Bolivia, y se quedo aqui donde formo una gran familia.
Me gusto mucho tu blog.
Muito legal o seu post. Todos os avós e pais dessa época sofreram muito calado. Ainda vou contar mais sobre o meu pai, de quem me orgulho muito. Abs.
Porque turrona? porque chata? o mal humor só traz
doença, limpe o coração porque só os limpos de coração verram há DEUS.